De Braga ao Mónaco - a roadtrip há muito sonhada!






Eram seis da manhã, mas nenhum dos quatro viajantes acusava sono, tanta era a excitação de começar a jornada que nos ia levar a lugares encantados e que sempre sonhámos conhecer


Já vos disse que é lindo ver o nascer do sol? 
Principalmente a percorrer estradas!

Uns almejavam conhecer o Mónaco, outros eram os castelos do Val du Loire que despertavam a curiosidade de ver como viveram os reis e rainhas franceses. 

Enfim…a motivação era gigante!


O ponto de encontro foi em Braga, cidade dos Arcebispos, e a caminho para todos, visto que apenas seguiríamos dali em diante numa só viatura, dividindo as despesas por quatro, o que, acreditem, é fundamental para quem tem orçamentos mais justos para as férias, diminuindo substancialmente os encargos da viagem.

No entanto, e a sugestão a seguir é, escolham sempre amigos que conheçam há vários anos e com os quais tenham muita afinidade, pois ao cabo de passar horas e horas enfiados num carro, ao fim de uns dias, se não existe essa cumplicidade, arriscam-se a vir a pé para casa!!! Eheheheh!



Bom, partimos então no dia 15 de Agosto rumo ao País Basco, já que ficaríamos a pernoitar em Bilbao, a fim de podermos fazer a nossa primeira noite de tapas e visitar o sumptuoso museu Guggenheim Bilbao, obra do famoso arquitecto Franck Gehry.







É, de facto um must see, especialmente se forem fãs de Arquitectura, já que o edifício é um colosso visto do exterior, já o interior não impressiona tanto (ainda assim não ficarão desiludidos).

A cidade tem bares óptimos de tapas e pode dizer-se que a primeira noite foi muito bem passada, embora nunca exagerávamos na hora do recolher já a que jornada do dia seguinte, em termos de quilómetros percorridos, obrigava ao cedo despertar.


Confiram lá estas belezas! 







Alvorada!!!
Eram 7 horas da manhã e nós à procura de sítio para a toma do pequeno almoço o que, em Espanha, diga-se, consegue ser tarefa algo árdua, já que o povo espanhol é mais de deitar tarde e tarde acordar.

Tínhamos mais de 700 quilómetros para percorrer nesse dia, o que equivaleria a cerca de 6 a 7 horas de viagem, dependendo das paragens até chegar a um dos sítios do mundo (por mim conhecido obviamente) que mais me impressionou: O Château de Chenonceau, em pleno Val du Loire.

Nesse dia, recordo-me que a auto-estrada estava um inferno, filas e filas, e aquele bálsamo soou aos quatro como uma espécie de miragem!!! 

Era espectacularmente lindo e glamoroso, digno de qualquer príncipe ou princesa. É o castelo mais visitado do Val du Loire e percebe-se o porquê. 

Talvez a sua história tenha igualmente contribuído para isso já que foi em 1547 que Henrique II, casado com Catarina de Medicis, ofereceu o palácio como presente à sua amante Diane de Poitiers, que foi a inquestionável senhora do palácio, até à morte de Henrique II, em 1559, tendo, nessa altura, a esposa legítima despojado a amante de tão preciosa oferenda.

O dia já ia longo, mas as pitorescas estradas do Val du Loire ainda nos levariam a Amboise.

É um daqueles lugares imperdíveis, carregados de história, que se reflecte em cada uma daquelas maravilhosas ruas pedonais que nos levam até ao seu castelo imponente, enquadrado por uma não menos imponente e deliciosa praça, onde se descansa prazerosamente.


Vale certamente a pena!

Já com o sol poente a incidir no rio Loire, seguimos uma vez mais pelas charmosas estradas do seu Vale.

Estávamos exaustos das horas de viagem que acabaram por ser bem mais que o esperado (as auto-estradas no verão em Espanha e França são um inferno!!!), e decidimos que estava na hora de repousar a beber um copo e restabelecer e ver o resto que tínhamos planeado no dia seguinte, atenta a exaustão.

Exaustos, mas felizes, lá fomos para uma esplanada comer, beber e gargalhar como gosta o típico tuga, não é verdade?

A dormida ficou marcada para Blois (que dista cerca de 18 km de Chambord).


É bom que reservem os hotéis com muita antecedência e fora dos hotspots porque as dormidas em França são deveras caras

Claro que todos preferiríamos ter pernoitado num Château, mas não queríamos ter que voltar para casa no dia seguinte não é verdade? 

E então ficamos nesta localidade que tem um Castelo belíssimo e a vila é muito típica, os restaurantes são óptimos e é super romântico passear nas calçadas bordadas com a flor de lis, um dos símbolos mais marcantes e elegantes de França.

Neste hotel em Blois encontramos como recepcionista uma portuguesa!!! 

Podem ver logo as conversas que desenrolamos... Portugueses que se encontram no estrangeiro, parecem que se conheceram a vida toda.

No dia seguinte, já restabelecidos, continuamos a jornada, seguimos para ver outra jóia do Val du Loire, digna de qualquer conto de fadas, o Château de Chambord (os castelos distam cerca de 60 km um do outro).             

É um dos castelos mais conhecidos do mundo devido à sua arquitectura em estilo Renascentista francês que combina as formas medievais francesas tradicionais com as estruturas clássicas italianas. 

Preparem-se para ver quartos e quartos sem fim, percorrer quilómetros dentro de casa!!!

O palácio tem 440 assoalhadas, 365 lareiras e 84 escadarias! 

Dizem que Leonardo da Vinci terá desenhado a escadaria principal (que é brutal e enigmática) desenhada em dupla hélice que ascendem aos três pisos sem nunca se encontrarem, iluminadas de cima por uma espécie de farol no ponto mais alto do edifício. 

É hilariante encontrarmos pessoas nas escadas mas não estamos na mesma escada, apesar de parecer.


Só vivenciado mesmo, não dá para explicar!

A jornada do dia era de cerca de pouco mais de 4 horas de viagem até Lyon, onde ficaríamos a pernoitar.
Queríamos chegar a tempo de tomar um bom banho e sair para um bom restaurante francês, já que Lyon é conhecida por possuir grandes restaurantes, incluindo os estrelas Michelin, e nós estávamos a precisar tantoooooo de uma refeição quente bem confeccionada já que os almoços eram feitos basicamente em trânsito nas estações de serviço que, aliás, diga-se são excelentes em França e vendem de tudo um pouco (com qualidade sem serem estupidamente caras como acontece cá).
Bom, lá fomos ao nosso jantarinho, com mesa na rua como il fault, à luz das velas e, após, um rico passeio nocturno por Lyon que parece ter uma mini Torre Eiffel e uma mini Sacre Coeur. Confiram lá na foto abaixo.





Dia seguinte, rumamos à tão desejada Côte D’Azur.



Vimos Cannes, Nice, mas confesso que a excitação de ver o Mónaco era tanta que ninguém quis perder muito tempo nas praias, até porque, acreditem, nós temos as melhores praias do mundo no Algarve e Alentejo (e alguns de nós já tinham tido esse descanso de sol, areia e mar e agora queríamos mesmo era ver aquele local do planeta completamente atípico).


O hot spot do verão no Mónaco, com piscina no rooftop, música, cocktails e gente gira, é, sem dúvida o Nikki Beach.

A entrada no casino é igualmente um must do, paga-se o ingresso (cerca de € 10,00) mas lembrem-se, estão no MÓNACO!!!


Fomos tentar a nossa sorte nas máquinas, no entanto, não conseguimos prolongar as nossas férias, falta de sorte!!!




Outro must do no Mónaco é degustar um gelado maravilhoso no café Paris e ao mesmo tempo observar o desfile de automóveis únicos e de luxo que só vemos naquela parte do mundo, trazendo gente que só estamos habituados a ver nos filmes.


E perguntam vocês: e onde pernoitar no Mónaco? 

Que meeedooo!


Pois, essa foi uma verdadeira dor de cabeça. O Mónaco/ Côte D’Azur no Verão são absolutamente proibitivos para a carteira do português médio.

Depois de muita pesquisa feita, escolhemos ficar em Antibes, na região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, a cerca de 23 Km de Nice.

Não nos arrependemos nem um bocadinho. Ficamos num boutique hotel lindo e com um pequeno-almoço fabuloso! AH! e com uma recepcionista de Coimbra!!! Dá para acreditar?! :)

Este foi o sítio, curiosamente, onde gastamos mais dinheiro.

Tem um mercado fabuloso (Mercado Provençal). Uma verdadeira perdição de gostos, cheiros e sabores. Confirmem abaixo nas fotos e façam o vosso juízo.




Aqui também podem visitar o museu Picasso.

E, como é típico de uma roadtrip decidimos sair à descoberta e conhecer um pouco fora do roteiro. 

Andar “perdido” nas paisagens da Provence é uma das melhores experiências! 

Não se esqueçam que se quiserem ver os campos de lavanda só na Primavera, pois no Verão já está tudo colhido.





E conseguimos descobrir uma verdadeira pérola da Provence: a Abadia de Notre Dame de Sénanque. 

Um mosteiro Cister de 1148 que transborda a calma e tranquilidade, vale a pena o desvio. Se forem na Primavera é mais um dos campos de lavanda que podem visitar.


Jantámos na Provence, num dos seus muitos restaurantes charmosos com esplanada, com óptimo tempo, amena cavaqueira e alegria de ter conhecido tantos lugares ao mesmo tempo. Era um sonho concretizado. O sentimento de dever cumprido.

Essa noite, a dormida seria em Avignon.

Conhecida por ter sido durante vários a residência dos Papas da Igreja Católica (desde 1309). As muralhas da cidade, em bom estado de conservação, foram construídas pelos Papas imediatamente a seguir da mudança de residência para este lugar. 

O palácio papal, Palais des Papes, é um enorme edifício gótico com muros de 5 a 5,5 m de espessura, que foi construído entre 1335 e 1364. Depois de regressar a corte papal, foi utilizado como quartel e actualmente é um rico e muito visitado museu. 

Outro ponto de interesse em Avignon é a ponte sobre o rio Ródano, da qual só restam quatro arcos dos 22 que inicialmente tinha.


Dentro do Museu, a Fé parece evidente…



O repasto em Avignon:


Nesta cidade também podem fazer muitas compras, especialmente se são fãs de lavanda, como é o meu caso. 

Há de todas as formas e feitios e todas as lojas são super cheirosas!!! 
Uma verdadeira perdição!!!


Igualmente para quem é apreciador de vinho.

Há lojas especializadas, as quais servem vinho a copo.
(Uma experiência inesquecível para quem gosta de apreciar este néctar.)


Outra dica importante para quem gosta de cremes e maquilhagem: Não percam as farmácias!!! 

Todo o creme francês a praticamente metade do preço que temos cá.


Por fim, e porque isto já vai longo e não vos quero maçar, a última dormida, já de regresso a Portugal, foi novamente no País Basco, mas desta vez, para conhecer San Sebastian

Para quem adora tapas este é o sítio certo. Porta sim, porta sim, há milhares e milhares de tapas à nossa espera, de todas as cores, sabores e feitios.




Resta-me desejar-vos excelentes viagens e esperar que esta pequena crónica vos tenha inspirado a conhecer mais mundo.

Sou fã das roadtrips. 
Façam-no pelo menos uma vez na vida.



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Terei todo o gosto em responder a qualquer questão quanto a esta ou outras viagens.
Let´s Trip it on!!!


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